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Tipo: Dissertação
Título: Hábito alimentar da rã invasora Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802) e sua relação com anuros nativos na Zona da Mata de Minas Gerais, Brasil
Título(s) alternativo(s): Feeding habits of the invasive frog Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802) and its relationship with native anurans in the Zona da Mata of Minas Gerais state, Brazil
Autor(es): Silva, Emanuel Teixeira da
Primeiro Orientador: Ribeiro Filho, Oswaldo Pinto
Primeiro coorientador: Feio, Renato Neves
Segundo coorientador: Schoereder, José Henrique
Primeiro avaliador: Santos, Jorge Abdala Dergam dos
Segundo avaliador: Garcia, Paulo Christiano de Anchieta
Abstract: A rã touro norte-americana (Lithobates catesbeianus) foi introduzida em vários países para criação comercial, estabelecendo populações invasoras ao longo deste processo. No Brasil, o início de sua produção ocorreu na década de 1930, sendo hoje uma espécie invasora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Seu hábito alimentar é generalista, e por atingir grande porte na fase adulta, é um predador relevante de pequenos vertebrados, incluindo outros anfíbios anuros. Devido à predação, competição interespecífica e possível transmissão de patógenos, o estabelecimento da rã touro é apontado como uma das causas de declínios populacionais de anfíbios em regiões onde a espécie foi introduzida. Os hábitos alimentares desta espécie em condições naturais foram analisados em quatro ambientes no campus da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, e em duas propriedades rurais em Vieiras, municípios da Zona da Mata de Minas Gerais, para acessar dados sobre sua relação com anfíbios nativos. A coleta de dados ocorreu entre agosto de 2005 e março de 2007, em Viçosa, e de setembro de 2008 a abril de 2009, e setembro a novembro de 2009 em Vieiras, através de amostragens noturnas e análises de conteúdo estomacal. Na primeira parte do trabalho, foram comparados os hábitos alimentares e a distribuição espacial da rã invasora com os da espécie nativa "rã manteiga" (Leptodactylus ocellatus) em Vieiras, relacionando a ecologia alimentar com a coexistência entre as espécies. Jovens de ambas as espécies possuíram tamanhos semelhantes, enquanto que adultos da rã nativa foram menores que os adultos da rã exótica. As dietas dos jovens das duas espécies, e também dos adultos de Le. ocellatus foram dominadas por insetos em geral e aranhas, enquanto que anfíbios e baratas d'água sobressaíram na dieta de adultos da rã exótica. A rã nativa consumiu mais presas em média que a rã exótica, porém suas presas foram menores em volume. A rã invasora foi mais encontrada na água que a rã nativa, sendo que presas aquáticas e anfíbias foram mais comuns na sua dieta. A sobreposição de nicho trófico foi maior entre os pares coespecíficos, e variou de baixa a média entre as espécies, de acordo com o grupo etário comparado. As diferenças observadas na dieta e distribuição espacial podem estar colaborando para a coexistência das duas espécies na região estudada. Na segunda parte do trabalho, a predação de anfíbios nativos pela rã touro foi investigada em ambas as localidades, levando-se em conta a variação espacial e as influências da sazonalidade e da utilização de microambientes pelas espécies nativas. Entre as presas da rã touro foram encontradas espécies das famílias Bufonidae, Hylidae, Leiuperidae e Microhylidae, as quais exibiram similaridade média ou alta com a rã-touro na utilização de microambientes. A predação foi mais expressiva em um dos ambientes de Viçosa que possui a vegetação natural preservada. Nos meses quentes e chuvosos, época de reprodução da maioria das espécies nativas, a predação foi mais frequente. Desta forma, o impacto negativo que a rã touro pode exercer sobre anfíbios anuros nativos no Brasil pode ser mais expressivo entre as espécies semelhantes à rã exótica na utilização de microambientes, e durante o período reprodutivo destas espécies. O efeito da predação também pode ser maior em locais preservados, como fragmentos florestais em unidades de conservação, o que alerta para o monitoramento da dispersão e para programas de controle desta espécie em áreas naturais.
The American Bullfrog (Lithobates catesbeianus) was introduced into several countries for commercial breeding, settling invasive populations during this process. In Brazil the beginning of its farming occurred on the 1930 s, and currently invasive populations can be found in the South, Southeast and Central-West regions. It has a generalist feeding habit, and due to the large size reached by adults it is known as a predator of small vertebrates, among these other anuran species. The establishment of the Bullfrog in areas where it is not native is considered one motive of anuran population declines, due to predation, interspecific competition and possible pathogen transmission. The feeding habits of this species were studied in four sites located at the Universidade Federal de Viçosa campus, in Viçosa, and in two farms in Vieiras, municipalities of the region Zona da Mata, Minas Gerais state, in order to access data on its relationship with native anurans. Data collection in Viçosa was between August 2005 and March 2007, and in Vieiras from September 2008 to April 2009 and September to November 2009, through nocturnal field surveys and stomach content analyses. In the first article of this work the feeding habits and spatial distribution of this invasive species were compared to those of the native "Common Thin-toed Frog" (Leptodactylus ocellatus) in Vieiras, relating the feeding ecology to the coexistence between these species. Juveniles of both species had similar body sizes, whereas native adults were smaller than the invasive adults. Insects in general and spiders dominated the diets of juveniles of both species, as well as of Le. ocellatus adults, whereas anurans and water-bugs stuck out in adult Bullfrog diet. The native frog ate more prey in average than the invasive, although its preys were smaller in volume. The invasive frog proved to be more aquatic than the native, so that aquatic and amphibious preys were more common in its diet. The feeding niche overlap was higher between conspecific pairs, and varied from low to intermediate between species, according to the age group compared. The differences in diet and spatial distribution may be promoting the coexistence between these frogs in the studied region. In the second article the predation on native anurans by invasive Bullfrogs was analyzed in both localities, regarding the spatial variation and influences of seasonality and microhabitat use by native species. Anurans of the families Bufonidae, Hylidae, Leiuperidae and Microhylidae were found among Bullfrog preys, and had intermediate to high similarity in microhabitat use with Bullfrogs. Predation was more frequent in the site of Viçosa where the natural vegetation is preserved. The number of anurans preyed was higher during the first months of the raining season, which is the reproductive period of the most of native species. Thus, the possible negative impact of the Bullfrog on Brazilian anurans may be more significant among species which are similar to the invasive in relation to microhabitat use, and during their reproductive season. The effect of predation also may be higher in preserved sites, such as forest fragments of conservation units, increasing the importance of monitoring the spread of this invasive frog throughout natural areas, as well as starting control programs.
Palavras-chave: Anuro
Dieta
Predação
Sobreposição de nicho
Coexistência
Competição
Invasão biológica
Impacto ambiental
Anuran
Diet
Predation
Niche overlap
Coexistence
Competition
Biological invasion
Environmental impact
CNPq: CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ECOLOGIA
Idioma: por
País: BR
Editor: Universidade Federal de Viçosa
Sigla da Instituição: UFV
Departamento: Biologia e Manejo animal
Programa: Mestrado em Biologia Animal
Citação: SILVA, Emanuel Teixeira da. Feeding habits of the invasive frog Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802) and its relationship with native anurans in the Zona da Mata of Minas Gerais state, Brazil. 2010. 76 f. Dissertação (Mestrado em Biologia e Manejo animal) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://locus.ufv.br/handle/123456789/2235
Data do documento: 9-Abr-2010
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