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Tipo: Dissertação
Título: As sociabilidades possíveis em conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV): o caso de Viçosa – MG
Possible sociability in housing projects of the Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV): the case of Viçosa – MG
Autor(es): Souza, Nilo Sérgio de
Abstract: Esta temática perpassa as discussões relativas à lógica das configurações sociais e das relações que se estabelecem no espaço urbano composto pelos beneficiários do PMCMV. Esta pesquisa descritiva e de natureza mista, utilizou dados primários obtidos mediante a aplicação de 125 entrevistas semiestruturadas, com o objetivo de analisar as experiências de sociabilidade dos moradores dos conjuntos habitacionais inseridos em um contexto de segregação socioespacial e de diferenças identitárias. Os resultados revelaram que essas diferenças, presentes no novo contexto de moradia, impõem limites à sociabilidade que se estabelecem nesses espaços. Além disso, as famílias beneficiárias do PMCMV, alocadas, geralmente, em áreas periféricas da cidade e desprovidas de infraestrutura, têm sua sociabilidade restringida pela precariedade dos serviços e equipamentos urbanos disponíveis nesses espaços. Neste contexto, foram analisados os seguintes itens da infraestrutura urbana: transporte, comércio, segurança, educação, saúde, lazer, comunicação, fornecimento de água, energia elétrica, esgotamento sanitário e coleta de lixo e, excetuando-se os quatro últimos, todos interferiram negativamente na sociabilidade dos moradores. A questão da mobilidade foi analisada por meio de seus principais vetores: transporte coletivo e transporte escolar público, revelando-se ineficiente, não se comportando como facilitadora de uma maior sociabilidade dos moradores. A partir das condições locais, buscou-se também dimensionar a sua influência na percepção de risco dos moradores. Esta percepção é maior nas imediações dos conjuntos e está associada às más condições das suas vias de acesso. Procurou-se também analisar a questão da estigmatização, constatando que, embora baixas, as médias de percepção da estigmatização por morar em conjuntos habitacionais, é bastante significativa em todos os conjuntos habitacionais. Entretanto, a estigmatização não se caracteriza como elemento que vá provocar um certo “enclausuramento” dos moradores. Analisou-se a participação dos entrevistados em atividades de lazer no âmbito público e privado e suas respectivas frequências, uma vez que o lazer é fator de desenvolvimento da sociabilidade. Neste contexto, observou-se que os moradores têm pouca inserção em atividades de lazer no âmbito público, permanecendo maior tempo em casa, com médias elevadas de horas diárias assistindo televisão, em detrimento de outras atividades. Foram analisadas, ainda, a questão da confiança e da prestatividade entre os vizinhos, para cujas variáveis, as médias mostraram-se significativas. Embora tenha sido constatado também que são poucas as interações cotidianas, apontando para um certo distanciamento e uma certa superficialidade nas relações. O comportamento dos entrevistados em relação ao outro, à casa e ao conjunto habitacional também foi analisado por meio da sensação de pertencer ao grupo social estudado. Apesar da satisfação ao ter adquirido o imóvel, há um maior nível de sociabilidade no contexto anterior de moradia. A localização e as dificuldades de acesso aos serviços podem estar influenciando os moradores a se mudarem dos conjuntos habitacionais pesquisados. Em uma análise do tempo de moradia, observou-se que o número de beneficiários iniciais vem se reduzindo. Em todos os aspectos analisados foram detectadas, em maior ou menor grau, restrições à sociabilidade do grupo. Esta sociabilidade é perpassada por situações que denotam distanciamentos e aproximações, permitindo constatar que esta não se desenvolve de forma unívoca; ela vai se modelando pela conduta dos moradores, que são influenciadas, especialmente, pelo contexto da segregação socioespacial em que vivem nos conjuntos habitacionais pesquisados.
This issue deals with the logic of social arrangements and relationships established in the urban area comprising the beneficiaries of PMCMV. This descriptive and mixed research used primary data obtained from 125 semi-structured interviews. The study aimed to analyze the sociability experiences of residents of housing projects within a context of socio-spatial segregation and identity differences. The results showed that these differences found in the new housing context hinders sociability in such places. In addition, the families benefited by the PMCMV, usually allocated in peripheral areas of the city and devoid of infrastructure, face restrictions to their sociability due to the precarious urban services and facilities provided in these places. Therefore, the following components of urban infrastructure were analyzed: transport, trade, security, education, health, leisure, communication, water supply, electricity, sewage and garbage collection. Excepting the last four items, all of them affected negatively the sociability of the residents. Mobility was analyzed through its main vectors: public transportation and public school transportation, which proved inefficient and unable to facilitate greater sociability among the residents. Considering the local conditions, we also sought to assess their impact on the risk perception of residents. This perception is greater in the vicinity of the housing projects and is associated to the poor conditions of the roads leading to the projects. Stigmatization was also investigated and it was observed that, although low, the average perception of stigma for living in housing projects is quite significant in all housing projects. However, stigma is not characterized as an element that may cause the "seclusion" of residents. It was investigated the participation of respondents in leisure activities in public and private environments, and how often they occurred, since leisure is a factor of sociability development. In this context, it was observed that the residents have little participation in public leisure activities. They remain most of their time at home, with high average of daily hours watching television, at the expense of other activities. Analyses were also conducted on trust and helpfulness among neighbors, and the variable averages were significant. However, it has also been observed very few everyday interactions, which points to a certain distance and superficiality in relationships. The behavior of respondents in relation to each other, to the house and housing project was also analyzed considering the sense of belonging to the social group studied. Despite their satisfaction for owning a property, respondents reported a higher level of sociability enjoyed in the previous housing context. The location and difficulties of access to services may be leading residents to leave the housing projects searched. An analysis of the residence time showed that the initial number of recipients has been decreasing over time. Restrictions to group sociability were found in all aspects analyzed, to a greater or lesser extent. Such sociability comprises situations that denote distance and approximation, which reveals that it does not develop evenly. Sociability is being framed by the behavior of the residents, who are mainly affected by the socio-segregation environment where they live, in the housing projects surveyed.
Palavras-chave: Sociologia urbana
Antropologia urbana
Planejamento urbano
Política habitacional
Habitação popular - Viçosa (MG)
CNPq: Economia Doméstica
Editor: Universidade Federal de Viçosa
Citação: SOUZA, Nilo Sérgio de. As sociabilidades possíveis em conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV): o caso de Viçosa – MG. 2015. 150f. Dissertação (Mestrado em Economia Doméstica) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2015.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/6298
Data do documento: 27-Mar-2015
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