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Tipo: Dissertação
Título: Matéria orgânica de solos da Antártica Marítima: impacto do aquecimento global sobre os estoques de carbono e nitrogênio, e sua modelagem
Título(s) alternativo(s): Soil organic matter in Maritime Antarctic: impact of global warming on carbon and nitrogen stocks, and its modeling
Autor(es): Pires, Cleverson Vieira
Primeiro Orientador: Mendonça, Eduardo de Sá
Primeiro coorientador: Schaefer, Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud
Segundo coorientador: Scala Júnior, Newton La
Primeiro avaliador: Simas, Felipe Nogueira Bello
Segundo avaliador: Reis, César
Abstract: Existem poucos estudos sobre a qualidade, quantidade e dinâmica da matéria orgânica nos ecossistemas terrestres da Antártica, que se restringem às áreas livres de gelo que representam somente 2% da área total do continente. A região da Antártica Marítima apresenta os maiores valores de temperatura e precipitação de todo o continente, favorecendo a produção primária, a pedogênese e a atividade biológica. O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial de emissão de C-CO2 do solo nestes ambientes, com vistas ao quadro de aquecimento global. Para isto foram coletadas amostras de solos em sete diferentes pontos da Ilha Rei George, sendo cinco deles na Península Keller (P1, P2, P3, P4 e P5) e dois na Costa Oeste da Baía do Almirantado, em local denominado Arctowski (P6 e P7). Dois destes solos são originários de basaltos e andesitos (P1 e P2), três deles são afetados por sulfetos (P3, P4 e P5) e os outros dois têm forte influência ornitogênica (P6 e P7). As amostras foram coletadas a duas profundidades distintas, 0 a 10 cm (0-10) e 10 a 20 cm (10-20). Foram analisados os teores de C e N orgânico total (COT e NT), seus teores nas diferentes frações das substâncias húmicas (SHs), avaliadas as taxas de mineralização destes nutrientes a quatro temperaturas distintas, 2, 5, 8 e 11 ºC e conduzida a modelagem dos estoques futuros de C e N, utilizando-se o modelo Century, considerando-se o possível quadro de aquecimento global. Os teores de COT e o NT nos solos de influência ornitogênica foram os mais altos: P6(0-10), COT=40,14 g/kg e NT=3,73 g/kg; P6(10-20), COT=30,85 g/kg e NT=2,54 g/kg; P7(0-10), COT=43,15 g/kg e NT=5,22 g/kg; P7(10-20), COT =31,56 g/kg e NT =3,57 g/kg. Além disso, estes solos apresentaram a menor relação C/N. Os solos P1 e P2 apresentaram os menores teores de COT e NT e as relações C/N mais altas, devido ao baixo conteúdo de T. Nos solos P3, P4 e P5, os valores encontrados foram intermediários. Em todos os locais, a maior parte do COT e NT está na fração humina (FH). A mineralização da matéria orgânica, avaliada via emissão de C-CO2 dos solos, assumiu comportamento distinto nas duas profundidades estudadas, tendo crescimento contínuo com a temperatura somente na profundidade de 0 a 10 cm. Já na profundidade de 10 a 20 cm, a mineralização foi maior com a temperatura até 8 ºC, mas na temperatura de 11ºC houve decréscimo, talvez pelo fato de os microrganismos deste ambiente não serem adaptados a tais temperaturas, pouco comuns nessa profundidade em ambientes da Antártica. Os solos que apresentaram maior sensibilidade da emissão à variação da temperatura de 2 para 11ºC foram os organossolos, com aumento de 102% e 61% no fluxo de C-CO2 para as amostras P6(0-10) e P7(0-10), respectivamente. Os resultados encontrados foram utilizados para alimentar o modelo, juntamente com dados da literatura, porém não se conseguiu dados consistentes, devido à lacuna de dados essenciais, como relativos à fisiologia dos vegetais e à caracterização e quantificação do aporte de resíduos animais em cada ambiente. Diante dos resultados encontrados, espera-se que os solos estudados, principalmente os ornitogênicos, devido ao alto teor de matéria orgânica, exerçam importante papel na emissão de C-CO2 caso o quadro de aquecimento global se confirme, tais ambientes passariam de acumuladores para emissores desse gás, contribuindo ainda mais para o aumento da temperatura do planeta.
There are few studies on quality, quantity and dynamics of organic matter in Antarctic terrestrial ecosystems. These ecosystems are restricted to ice-free areas which represent only 2% of the continent total area. The Maritime Antarctic region has the highest values of temperature and precipitation across the whole continent, promoting primary production, pedogenesis and biological activity. This study aimed at evaluating the potential of C-CO2 emission on soils of these environments in relation to the global warming. For this soil samples were collected at seven different points of King George Island. Five of them where on the Keller Peninsula (P1, P2, P3, P4 and P5) and two on the west coast of Admiralty Bay, on a place called Arctowski (P6 and P7). Two of these soils are originated from basalt and andesite (P1 and P2) and three are affected by sulfides (P3, P4 and P5). The last two have a strong ornitogenic influence (P6 and P7). The samples were collected at two different depths, 0 to 10 cm (0-10) and 10-20 cm (10-20). The contents of total organic C and N (TOC and TN) and their levels in different fractions of humic substances (HSs) were analyzed. In addition, the mineralization rates of these nutrients were evaluated in four different temperatures (2, 5, 8 and 11 ° C). All these data were led to the modeling process. The Century model was used to model the future stocks of C and N considering the context of global warming possibilities. The contents of TOC and NT on ornitogenic soils were the highest: P6 (0-10), TOC= 40.14 g/kg and NT = 3.73 g/kg, P6 (10-20), TOC = 30.85 g/kg and NT = 2.54 g/kg; P7 (0-10), TOC = 43.15 g/kg and NT = 5.22 g/kg; P7 (10-20), TOC = 31.56 g/kg and NT = 3.57 g/kg. Beside, these soils had the lowest C/N ratio. Soils P1 and P2 showed the lowest levels of TOC and TN and the highest C/N ratio due to the low content of NT. Intermediate values were found on soils P3, P4 and P5. At all sites, most of the TOC and TN were on the humin fraction (FH). The mineralization of organic matter, measured through soil C-CO2 emission, assumed distinct behavior at both studied depths. Only at the 0 to 10 cm depth, continuous growth was observed with the temperature. At the depth of 10 to 20 cm, the mineralization was greater with temperature up to 8ºC, but at the temperature of 11°C the mineralization decreased. Probably it happens because the microorganisms of this environment were not adapted to these temperatures, unusual at this depth in Antarctic environments. Soils with higher emission sensitivity related to the temperature variation from 2 to 11ºC were ormitogenic, with an increase of 102% and 61% in the flow of C- CO2 for the samples P6 (0-10) and P7 (0-10), respectively. These results were used to the modeling process. Literature data were also used to feed the model, but no consistent data could be used due to the lack of essential data (plants physiology and contribution of animal waste to each environment). Therefore it is expected that the studied soils, specially ornitogenic, due to the high content of organic matter, exert an important role in the emission of C-CO2 if the global warming is confirmed. These environments would become gas emitters instead accumulators, further contributing to increase the global temperature.
Palavras-chave: Antártica
Matéria orgânica
Carbono
Antarctic
Organic matter
Carbon
CNPq: CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLO
Idioma: por
País: BR
Editor: Universidade Federal de Viçosa
Sigla da Instituição: UFV
Departamento: Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,
Programa: Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas
Citação: PIRES, Cleverson Vieira. Soil organic matter in Maritime Antarctic: impact of global warming on carbon and nitrogen stocks, and its modeling. 2010. 106 f. Dissertação (Mestrado em Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://locus.ufv.br/handle/123456789/5467
Data do documento: 3-Dez-2010
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